História

Orago: S. Tiago

Actividades económicas: Agricultura e comércio

Feiras: Mensal (primeiras quintas-feiras de cada mês)

Festas e romarias: S. Tiago (25 de Julho), Sra. de Cervães (2°ou 3º Domingo de Setembro), Santa Eufémia (segunda-feira de Pascoela e 17 de Setembro), S. Silvestre (2º Domingo de Janeiro) e S. Pedro de Verona (29 de Abril)

Património cultural e edificado: Igreja matriz, Capela da Senhora de Cervões, Solar de Cassurrães e Capela de Santa Eufémia

Gastronomia: Queijo da serra e enchidos

 

Santiago de Cassurrães é uma freguesia do concelho de Mangualde, pertencente ao distrito de Viseu e à Província da Beira Alta. Esta freguesia encontra-se limitada a norte pelo rio Mondego e pelas freguesias de Freixiosa, Cunha Alta e Mangualde; a sul pela freguesia de Póvoa de Cervães; a nascente pelas freguesias de Abrunhosa-a-Velha e Chás de Tavares; a poente pelas freguesias de Mesquitela e Cunha Baixa.

A freguesia possui uma área de 22,5 Km2.

Santiago de Cassurrães tem como orago São Tiago. Narra a história que Tiago era austero, rigoroso, possuía uma visão profundamente social do sagrado, que ele expressava claramente nas suas admoestações aos ricos. São Tiago foi bispo de Jerusalém, tendo sido martirizado, provavelmente no ano 61. As relíquias do Santo encontram-se na igreja dos Santos Apóstolos, em Roma.

A sede da freguesia – Santiago – é uma das mais interessantes povoações do concelho, não só pela sua situação geográfica, mas também pelo desafogado da área em que assenta.

A Igreja de S. Tiago, ampla e de origem antiquíssima, pouco guarda da sua primitiva traça, pois toda ela dá a impressão de ter sido reconstruída nos fins do século XVII ou princípios do século XVIII. O Altar-Mor foi completamente reconstruído nos finais da década de 80 devido a um incêndio que o consumiu quase por completo.

Da sua origem guarda ainda traços inconfundíveis como o pórtico aberto em arcos de volta inteira de estilo do primeiro período românico e a porta travessa do lado sul que tem a encimá-la uma inscrição em caracteres góticos, hoje quase ilegíveis.

Perto da povoação, encontra-se a Capela de Nossa Senhora de Cervães, edifício construído no século XVII, que possui uma rica obra de talha e uma interessante colecção de pinturas, cobrindo em quadros todo o tecto da capela.

No que toca à cultura romana, Santiago de Cassurrães era atravessada por uma estrada latina, vinda de Viseu, passava no Monte da Senhora do Castelo em direcção à povoação de Almeidinha. Esta via romana atravessava ainda Cassurrães em direcção a Abrunhosa-a-Velha, seguindo para Linhares e Guarda. Actualmente, é possível avistar alguns vestígios dessa via situada entre Almeidinha e Cassurrães. Da época romana parecem ser também algumas sepulturas antropomórficas lavradas na rocha e localizadas de um modo disperso na Aldeia Nova. Infelizmente, devido à incúria do poder instituído, estes monumentos históricos não se encontram devidamente assinalados, nem preservados.

Cassurrães e Santiago de Cassurrães devem o seu nome a uma “villa” rural que na Alta Idade Média aqui estava implantada, dando continuidade a um povoamento por certo anterior em muitos séculos.

São actualmente dois risonhos povoados pouco distantes um do outro e separados por um pequeno curso de água que atravessa os terrenos da freguesia a caminho do Mondego.

Sobranceiro a ambos está o monte da Baralha, a lembrar os tempos da cultura castreja, em que os povoados se organizavam em sítios altos, de fácil defesa e grandes horizontes. Aí devia ter começado o povoamento da freguesia, se bem que não esteja documentado arqueologicamente.

O paralelismo com tantos outros processos de povoamento é no entanto flagrante. A romanização da agricultura, alterou profundamente o “habitat” castrejo e trouxe as populações para o sopé dos montes, onde os vales férteis e as terras irrigadas permitiam um melhor aproveitamento das explorações agrícolas. Foi aí que se instalaram as muitas “villas” que sobrevivendo séculos, foram a origem das nossas freguesias.

Cassurrães era muito provavelmente uma “villa” rústica, propriedade hispano-romana dum “dominus”, que em genitivo latino se diria Cassuranis, tal como outros topónimos

ainda existentes nos informam acerca de outras tantas “villas” (Mouril, Villa de Mourelhas, por exemplo). Estas “villas” organizavam-se em torno da residência do senhor, incluíam as habitações para os trabalhadores, as eiras, lagares e celeiros, bem como abegoarias nas proximidades das terras de cultivo. Com o advento do cristianismo, o povoado foi entregue à protecção de Santiago, certamente com um pequeno templo, à volta do qual se aglutinavam os casais sucessores na exploração agrícola, da organização inicial.

Nas Inquirições de 1258, a paróquia estava já claramente constituída. Dizia-se de Cazurrães, o que indicia que a “villa” com aquele nome se estendia tradicionalmente até aos terrenos envolventes da igreja de Santiago. Esta sim, não dependia de ninguém. Deverá ter sido construída pelos paroquianos, que ao tempo mantinham o direito de padroado na comunidade, isto é, apresentavam a igreja, elegendo o seu pároco e geriam entre si os bens recolhidos.

Nos princípios do século XII, a paróquia pertencia administrativamente à terra de Zurara e era através do foral de Zurara que tinha consignado os foros e demais obrigações a pagar à coroa. Zurara ou Azurara era terra de povoadores particularmente protegidos desde que em 1102, o conde D.Henrique lhe deu foral. Alguns desses povoadores possuíram casais na freguesia, devendo por isso mesmo ter “honrado” parte dela. Entre 1246 e 1258, D. Soeiro Mendes de Melo deve tê-lo feito em Fundões, onde adquiriu uma propriedade que honrou.

 

No que toca a figuras ilustres oriundas de Santiago de Cassurrães destaca-se o Dr. Francisco Inácio Pereira de Figueiredo, nascido a 3 de Outubro de 1878, em Contenças de Baixo, foi médico municipal do concelho de Mangualde durante muitos anos. Foi nomeado Governador Civil do distrito de Viseu pelo Estado Novo, cargo que exerceu até 1939, ano da sua morte. As Câmaras Municipais do distrito de Viseu erigiram um busto em sua homenagem. Actualmente, podemos encontrar o busto do Dr. Francisco Inácio no Largo do Rossio em Mangualde.

Também médico de profissão, Dr. Francisco Martins de Almeida, natural de Fundões, ficou conhecido graças à sua generosidade. Pessoa de avultados haveres, fez vários legados em testamento à Santa Casa da Misericórdia de Mangualde, destinando-os para a construção de um lar de idosos.

Dr. Manuel Pereira, nasceu em Contenças de Baixo. Foi um notável Inspector Superior Administrativo, porém a sua pessoa destaca-se na área política, nomeadamente no Partido Social Democrata, tendo ocupado o cargo de Ministro da Administração Interna no Governo do Professor Aníbal Cavaco Silva. Na freguesia de onde era natural ficou notabilizado graças à construção da sede da Associação dos Naturais da Aldeia de Contenças de Baixo.

José Guilherme Pessoa Pereira é considerado como o “benfeitor” da freguesia. Dono e possuidor de vários terrenos dispersos pela freguesia, tem-se mostrado sensível às solicitações de diversas  instituições. Entre as suas doações destacam-se os terrenos onde se situam a Escola, o Lar de São José de Santiago de Casurrães e a sede da Associação dos Naturais da Aldeia de Contenças de Baixo. A creche e o jardim de infância de Santiago têm o nome de sua mãe, D. Aurora Pereira.

Figura notável da freguesia é também o Padre Dr. Celestino Correia Ferreira, pároco da freguesia desde 1966. Homem marcado por um dinamismo inato, foi responsável pela restauração das igrejas e capelas das paróquias que se encontram a seu cargo. Fundou o Centro Social e Paroquial de Santiago de Cassurrães, onde funciona o Lar de São José.

Paulo Lopes Martins, outro nome ligado à freguesia. Nasceu em Santiago de Cassurrães, tendo desempenhado ao longo da sua vida a actividade de padeiro. Graças a esta personalidade, que muito contribuiu para cultura da freguesia, foi fundada a Tuna Convívio.

 

Textos tirados do "Dicionário Enciclopédico das Freguesias, 2º volume - Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém e Viseu" e do CD Interactivo "Portugal Século XXI - Distrito de Viseu, Segunda edição"